sábado, 12 de maio de 2012

Duvidai

    Questione sempre. Mas não a origem nem o destino. Não o começo nem o fim. Duvides do caminho, do processo. A origem é intrigante porque ela é inerente à dúvida. Ninguém tem a resposta para "de onde"; tudo o que há são especulações fundadas em teorias arcaicas. O destino é construído no mistério, pois ninguém sabe "para onde".

    Resta-nos, então, dubitar enquanto seguimos o curso da Sorte. Qual seria a real utilidade em saber [de onde vim?] e/ou [para onde vou?]

    Em relação à origem de todas as coisas, existem algumas formulações a respeito de elementos e mitos. Alguns acreditam e defendem que nosso ponto de partida está em partículas atômicas que se combinam mutuamente para formar tudo o que há. Outros, descontentes com a resposta anterior, tentam explicar a questão através de mitos, cuja forma é um reflexo do homem, melhorado. Desse modo, temos, para supor a anterioridade da nossa criação, basicamente, duas postulações, pautadas nas concretudes físico-químicas e nas abstrações proporcionadas pela fé. Ambas, espetaculares! E ambas incompletas, pois ainda assim a resposta para a pergunta "o que vem antes?" não é respondida...

    A respeito de origem/destino, o homem necessita crer em algo que suplante essa agonia causada pela falta de conhecimento exato. Todavia, conforme o fundamento do livre arbítrio - historicamente ignorado em alguns momentos -, somos produto de nossas escolhas; estas geradas por nossas dúvidas. Por isso o <movimento> é das coisas mais importantes em nosso estado atual, pois sem ele seríamos mero... boi!, com um ciclo predefinido, sem perguntas, sem escolhas, com um fim determinado...


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domingo, 15 de abril de 2012

Dejavu

    Sempre acontece algo que nos surpreende, ainda que tenhamos, de quando em quando, a noção de já termos visto de tudo nessa vida, principalmente hoje em dia, na dita Era da Informação, em que quaisquer acontecimentos são amplamente divulgados.

    Por exemplo: às vezes eu começo um texto, para qualquer dos blogues, e tenho a nítida impressão de já tê-lo escrito. Como tenho escrito desde dois mil e oito, pode ser que realmente eu repita uma coisa e outra, claro que involuntariamente, pois não costumo, por enquanto (e nisto posso ser considerado relapso), revisar tudo o que foi escrito desde o início dessa atividade.

    (...)


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domingo, 25 de março de 2012

Tempo, tempo...

    Você já se deparou com alguém e pensou "o tempo lhe fez muito bem"? Ou o contrário "o tempo te castigou"? O senhor Tempo, dono de tudo que é cronológico. Cronos: nome forte, poderoso. Um colosso contra o qual é difícil (ou impossível?) lutar. Mas será que é mister uma batalha contra Ele?

    Nossa percepção de tempo é estranha: se estamos atrasados, ele "voa", passa feito um trem bala; os segundos se atropelam, os minutos se apressam, as horas se encurtam... Esta mesma sensação é percebida quando realizamos qualquer atividade agradável, lúdica, divertida. Por outro lado, quando estamos numa situação desagradável, penosa, enfadonha parece que o tempo se arrasta, é como se não fosse acabar. Contudo, Ele segue seu curso normal, ignorando se estamos em tal ou tal situação.

    Na minha humilde opinião, tudo gira em torno da adequação. Temos, diariamente, vinte e quatro horas (sempre e invariavelmente) para realizarmos nossos afazeres. Logo, é improvável conseguirmos fazer muita coisa ao mesmo tempo. Necessitamos de equilíbrio e sensatez pra arrumar a rotina do dia a dia, pra perceber, e entender, que não adianta correr contra o tempo. Nossa corrida precisa ser aprazível e útil, para que não tenhamos, no fim, aquela sensação de termos perdido tanto tempo pra nada.

    Duas dicas que têm me ajudado nesta tarefa: reconhecer os limites e anotar o que se tem a fazer. Ao sabermos do que somos capazes, estamos mais aptos a buscar soluções que nos agreguem a força necessária à labuta, à resolução das tarefas. E anotar nossas funções é de grande valia para efetivamente enxergarmos o que temos para agora. Isto também ajuda a definir prioridades, aquilo que tem de ser feito antes e o que pode esperar.

    Mas não esqueça: o Tempo não espera! E o seu favor depende também, e muito, de nós mesmos.


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sábado, 17 de março de 2012

Anomalia

    Tudo me entedia muito rápido. A maior prova disso é a constância com que mudo de emprego. Aos trinta, já trabalhei em tantos e tão diferentes lugares que me pergunto, então, se o "problema" está em mim. Em alguns tipos de emprego eu simplesmente não gostei da tarefa mesmo. Em outros, a questão era o salário baixo para retribuir as atribuições e o trabalho desempenhados. Há também o ambiente, as pessoas: nem sempre tudo agrada.

    Eu tenho um objetivo a esse respeito; porém, a incerteza das coisas me assusta. Nossas expectativas são facilmente frustradas. Não que este pensamento me desencoraje a estudar. Não mesmo! Mas às vezes sinto como se eu ainda não tivesse me deparado com o PATHOS que me encantará profissionalmente. Essa sensação me diz que eu deveria ter feito algo diferente quando era mais novo.

    Sei que possuo algum tipo de talento. Só não sei se vou desenvolvê-lo... ou se a época para isso já passou...


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sábado, 11 de fevereiro de 2012

Camadas

    Novo-velho problema: funcionamento dos trens da Supervia. Antigamente, a situação dos trens era caótica. Eu, particularmente, não me via utilizando este tipo de transporte no meu cotidiano. Vagões caindo aos pedaços, hiperlotação, irregularidade de horários etc. Tudo isso contribuía muito para arrastar a imagem do "lagarto de ferro" pro fundo.

    Após a privatização, foram notórias algumas mudanças em relação ao funcionamento do sistema ferroviário. Mais viagens, intervalos menores, otimização do tempo de chegada ao destino, algumas reformas nos carros etc. Ficou um pouco mais amigável, e confiável, utilizar o trem para ir aos lugares por onde ele passa. Para mim, especialmente ao Centro da cidade.

    Contudo, a vontade político-privada contentou-se com a melhora, significativa - diga-se, do transporte. E, sendo assim, demorou a efetivamente fazer uma revolução na via férrea. A História prova, mais uma vez, como no Brasil as coisas são remediadas, com remendos, costuras, maquiagem, disfarces... Ora, há de se considerar que assumir algo já começado, que sofreu com o abandono e o descaso, não é moleza. Mas que, neste caso, existiu certa acomodação, vamos combinar, né?!

    "Nesta época, em que completo trinta e um anos de vida, espero que uma das lições mais importantes pra mim seja: cuidar da estrutura, como venho fazendo, embora seja criticado às vezes, porque minhas preocupações parecem, aos outros, infundadas. Mas só quem percebe que é preciso mudar a raiz, o interior, aquele lugar onde as coisas nascem, é que me entende. E independente de críticas - ouço-as e absorvo o que me ajuda em minhas buscas - sigo firme em meus propósitos. Quem venham outros trinta e um!"


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